Aqui cultivamos a escrita sem leitura. Temos um trato: Não existe leitor aqui. Ninguém é ou será leitor de ninguém. Não é proibida a leitura mas essa não é suportada ou encorajada. É só a escrita pela escrita na garagem posta sob um pano velho. Que fique claro que também não cultivamos a escrita, o fazemos sim, mesmo sabendo que ela pode quem sabe ser lida (arg), mas nos envergonhamos profundamente e por isso não usamos nossos nomes.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Um dia eu subi no telhado e lá de cima vi homens, mulheres, carros, crianças, que iam e chegavam, casas, uma floresta, o céu, o sol que se punha atrás da lagoa, a lua por trás das nuvens e já algumas estrelas. Eu vi tudo de uma só vez. E porque nesse dia foi tudo de uma só vez eu comecei a desmontar a imagem. Separei o céu da terra e olhei a terra. Separei mulheres, homens e crianças. E esses ainda em grupos. E os grupos ainda separei. Deixei cada um sozinho. E cada um ainda separei em partes. Da imagem úníca fiz as peças para montar. Olhei cada parte e a tentei entender. Entender seu motivo. Me julguei inteligente porque ali no telhado tinha todas as partes que me pareciam muito mais que o todo. Tentei encaixá-las de volta esperando ouvir o tic. Mas não fazia.Fui ficando perdido em tantas partes, não escutava os gritos que me chamavam porque não sabia juntar as vogais. Dali corri sem juntar os caminhos e nem se quer me movi por não coordenar os passos. Também não fiquei por ser um espalhamento de pedaços. Tudo virou uma sopa, uma massa marrom de quando juntamos todas as massinhas no estojo. Um ruído que é quase silêncio da junção desorquestrada de vários sons. As peças não se encaixam. Nada faz tic ao ser juntado e por isso fiquei cego, afogado em tudo. Dessa forma tudo é nada. Tão cheio que vazio. Mas quase no fim do poço fez se a luz, e vi que a luz era boa. Emprestei seus olhos que ainda viam. E consegui ver o céu e a terra. E logo as florestas, flores e a lagoa ao fundo. Até por fim vi as pessoas novamente estavam em seu mundo que não faz tic e nem precisa.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Assinatura impressa
Várias cartas sobre a mesa. Foi abrindo algumas que pegava e passando os olhos sem conseguir se concentrar. Só pensava na carta que vinha da sua terra natal, em papel caro com a figura do leão em alto relevo. Não a pegou primeiramente. Foi de carta em carta como se a em papel cartão creme não fosse mais importante.
Finalmente chegou a ela.
Lia que: "Pelo evento do 8º ano do novo regime enviavam-lhe a graça da anistia e o chamavam a voltar a exercer os direitos e deveres de um cidadão de bem em sua terra natal". Parou por um instante. Releu algumas vezes. Esperou por isso por um longo tempo, mas nos últimos anos já tinha se acostumado com o exílio. Observou bem a carta a sua frente, um pouco embaçada pelas lágrimas que vinham aos olhos. Observou bem a assinatura, parecia redonda de mais para uma personalidade tão dura. Também observou que era uma assinatura impressa. Impressa em tinta azul, quase parecia verdadeira para os olhos leigos.
Continuou abrindo e passando os olhos nas outras cartas.
Conta do cartão.
Se sentia ofendido com aquela carta.
Renovação do seguro.
"Graça da anistia". Hum.
Conta de água
Tanta conta se acumula quando você viaja.
Conta de telefone.
Seu país, sua cidade. O lugar que tanto ama.
Notificação do síndico, escrito a mão. O síndico escreve a mão, mas sua carta não viera assinada a mão.
Se encostou na parte de trás da cadeira e olhou o teto com as mãos na nuca. Imaginou voltando a seu país. Como amara aquele lugar. Tivera ali o melhor tempo da sua vida. Quantos lugares e pessoas queridas. Tentou envelhecer as pessoas para imaginar como seria. Começou a pensar nas mudanças do regime, que na praça central da cidade já não mais estaria um arqueiro montado.
Pensou nas formalidades do novo regime, na arrogancia dos poderosos. Se orgulhavam do crescimento que o país teve. Da relação de liderança para com os vizinhos. O que o regime mostrava era uma nação bem sucedida. E a carta viera com assinatura impressa. Recebia a toda hora convite de governos, universidades e empresas para apresentações e premiações. As cartas vinham assinadas a punho.
Era segunda-feira? Terça no relógio. Uma semana desde que vira pela última vez o dono da assinatura, em um festival internacional. Inesperadamente ele disse que um músico novato tinha cantado uma canção antiga sua em uma solenidade, mas que teria sido melhor o próprio compositor. Ficara feliz que a música tinha sido apreciada e que não fora esquecida, mas...
Sua terra natal não era mais sua. Nesses tempos, qualquer país estrangeiro o faria sentir mais em casa. Seu país mudara e se fosse lá, só viria as mudanças.
Finalmente chegou a ela.
Lia que: "Pelo evento do 8º ano do novo regime enviavam-lhe a graça da anistia e o chamavam a voltar a exercer os direitos e deveres de um cidadão de bem em sua terra natal". Parou por um instante. Releu algumas vezes. Esperou por isso por um longo tempo, mas nos últimos anos já tinha se acostumado com o exílio. Observou bem a carta a sua frente, um pouco embaçada pelas lágrimas que vinham aos olhos. Observou bem a assinatura, parecia redonda de mais para uma personalidade tão dura. Também observou que era uma assinatura impressa. Impressa em tinta azul, quase parecia verdadeira para os olhos leigos.
Continuou abrindo e passando os olhos nas outras cartas.
Conta do cartão.
Se sentia ofendido com aquela carta.
Renovação do seguro.
"Graça da anistia". Hum.
Conta de água
Tanta conta se acumula quando você viaja.
Conta de telefone.
Seu país, sua cidade. O lugar que tanto ama.
Notificação do síndico, escrito a mão. O síndico escreve a mão, mas sua carta não viera assinada a mão.
Se encostou na parte de trás da cadeira e olhou o teto com as mãos na nuca. Imaginou voltando a seu país. Como amara aquele lugar. Tivera ali o melhor tempo da sua vida. Quantos lugares e pessoas queridas. Tentou envelhecer as pessoas para imaginar como seria. Começou a pensar nas mudanças do regime, que na praça central da cidade já não mais estaria um arqueiro montado.
Pensou nas formalidades do novo regime, na arrogancia dos poderosos. Se orgulhavam do crescimento que o país teve. Da relação de liderança para com os vizinhos. O que o regime mostrava era uma nação bem sucedida. E a carta viera com assinatura impressa. Recebia a toda hora convite de governos, universidades e empresas para apresentações e premiações. As cartas vinham assinadas a punho.
Era segunda-feira? Terça no relógio. Uma semana desde que vira pela última vez o dono da assinatura, em um festival internacional. Inesperadamente ele disse que um músico novato tinha cantado uma canção antiga sua em uma solenidade, mas que teria sido melhor o próprio compositor. Ficara feliz que a música tinha sido apreciada e que não fora esquecida, mas...
Sua terra natal não era mais sua. Nesses tempos, qualquer país estrangeiro o faria sentir mais em casa. Seu país mudara e se fosse lá, só viria as mudanças.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Exausto
Depois que conseguiu respirar fundo algumas vezes sentiu vontade de rir de si. Não sabia o que era pior de nadar contra a correnteza. Se era se esforçar tanto sem quase conseguir sair do lugar ou se era depois de acabadas as forças ter que, impotente, ver tudo andando para trás rapidamente.
...Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Fernando Pessoa
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
sábado, 24 de outubro de 2009
I know all of this: the gun, the anarchy, the explosion is really about Marla Singer.
Six minutes.
We have sort of a triangle thing going here. I want Tyler. Tyler wants Marla. Marla wants me.
I don't want Marla, and Tyler doesn't want me around, not anymore. This isn't about love as is caring. This is about property as in ownership.
Without Marla, Tyler would have nothing
Fight Club (book)
Six minutes.
We have sort of a triangle thing going here. I want Tyler. Tyler wants Marla. Marla wants me.
I don't want Marla, and Tyler doesn't want me around, not anymore. This isn't about love as is caring. This is about property as in ownership.
Without Marla, Tyler would have nothing
Fight Club (book)
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
19h. Como era comum no inverno ascendeu as luzes de fora e foi descendo a porta. Mais devagar dessa vez. Ouvindo o barulho da lata se desenrolar. Os olhos úmidos. Lembrou-se das diversas portas que já tinham estado ali nas reformas sucessivas que a loja tinha sofrido ao longo desses mais de 30 anos. Não era bom contando anos, era melhor contando centímetros, metros, cruzeiros, cruzados e reais. Era o que gostava de dizer quando perguntavam sua idade.
Mas parou um pouco para contar os anos dessa vez. Estava fechando definitivamente a loja era uma conta que valia a pena.
32 anos e 7 meses. Sentiria falta do colorido da loja, das estampas, dos clientes mais antigos e exigentes, dos admiradores de um bom tecido.
Vender era sua arte e sabia que executava com graça, participava de momentos especiais na vida das pessoas que muitas vezes depois levavam fotos para ele ver como tinha ficado a peça final. O que ele muito apreciava e cobrava.
Apagou a luz e ascendeu mais uma vez. Mirando o lugar. Lembrou quem ali já tinha trabalhado e passado. Vários clientes importantes, sentiu vontade de ver as fotos que guardava em casa, por isso apreçou-se. Encontrou no chaveiro a chave da porta de trás e a segurou tremendo, talvez tenha sido a vez mais difícil de acertar o buraco da fechadura. E já passara apuros ai. Pegou o chapéu que sempre deixava do lado da porta. Rodou a chave duas vezes. Parou para ver se não tinha esquecido nada, guardou a chave e deu a volta na rua para passar na frente da loja. Mirou o início da noite fitando a rua que tinha sido um grande centro de costura e tecidos do qual sua loja era a única reminecente até a poucos minutos. Sorriu-se apesar de tudo.
Mas parou um pouco para contar os anos dessa vez. Estava fechando definitivamente a loja era uma conta que valia a pena.
32 anos e 7 meses. Sentiria falta do colorido da loja, das estampas, dos clientes mais antigos e exigentes, dos admiradores de um bom tecido.
Vender era sua arte e sabia que executava com graça, participava de momentos especiais na vida das pessoas que muitas vezes depois levavam fotos para ele ver como tinha ficado a peça final. O que ele muito apreciava e cobrava.
Apagou a luz e ascendeu mais uma vez. Mirando o lugar. Lembrou quem ali já tinha trabalhado e passado. Vários clientes importantes, sentiu vontade de ver as fotos que guardava em casa, por isso apreçou-se. Encontrou no chaveiro a chave da porta de trás e a segurou tremendo, talvez tenha sido a vez mais difícil de acertar o buraco da fechadura. E já passara apuros ai. Pegou o chapéu que sempre deixava do lado da porta. Rodou a chave duas vezes. Parou para ver se não tinha esquecido nada, guardou a chave e deu a volta na rua para passar na frente da loja. Mirou o início da noite fitando a rua que tinha sido um grande centro de costura e tecidos do qual sua loja era a única reminecente até a poucos minutos. Sorriu-se apesar de tudo.
sábado, 26 de setembro de 2009
Olha lá! Olha lá! Gritou empolgado erguendo a mão no ar, apontando o dedo que levemente tocou o vidro do carro. Estavam parados no semáforo de frente para o Outdoor da menininha que parecia a Ludmila, sua colega de turma. Estava chovendo forte mas dava para ver com clareza. Em silêncio agradeceu que o semáforo estava fechado.
Ao seu lado estava Jorge falando ao celular com algum cliente, negociavam um novo acordo. Cutucou o braço dele que fez um gesto para esperar. Disse o valor: 500 reais mais o valor do material. O sinal estava para abrir, cutuco-o novamente, que fez um gesto irritado para que esperasse, trocando o celular para a mão esquerda e engatou a primeira marcha. Abriu o sinal. foi olhando o Outdoor se distanciar.
O Pai desligou o celular dizendo que já estava chegando no escritório. O garoto então soube que não veriam as fotos e comeriam pizza como tinham combinado.
-Você precisa entender que eu sou atarefado, estava falando com um cliente importante aqui. Esse cara que eu estava falando aqui é um dos maiores .. bla bla bla bla. Via os lábios se mexendo mas já não captava mais nada. Começou a lembrar da viagem.
A princípio não queria ir, não suportava conviver com seus pais. Mas sua mãe estaria viajando com as amigas, não tinha com quem ficar. Mas com o passar daquela semana se identificou com ele. Não parecia tão pai. Conversaram como nunca tiveram oportunidade e apesar do que parecia antes, ele já fora jovem e o entendia como talvez ninguém já tivesse entendido. Se deram muito bem. Era impressionante. No último dia percebeu que tinha esquecido o chapéu que Jorge tinha ganho no tiro ao alvo. Acordou mais cedo e foi ao restaurante onde o tinha deixado na noite anterior. Chegou tarde de volta ao hotel. Resultado: perderam o voo. Pediu desculpas, disse o quanto se arrependia. Mas o chapéu era tão importante para ele, tinha que recuperá-lo. Ouviu o discurso de seu pai. Nunca usaria aquele chapéu. E além do mais quanto custaria? Precisava saber o valor das coisas. Valia muito menos que o dia de trabalho perdido. Tinha compromissos e bla bla bla....
-Blah blah blah... E eu já disse para não colocar a mão no vidro depois de comer, fica tudo manchado. Eu acho super chato ficar brigando com você, mas sou seu pai, tenho que te educar. O Paulo veio me dizer que sou muito paciente com você. Sou mesmo.
-E o que mesmo queria me mostrar?
-Nada não. Bobagem minha.
Perdera totalmente a vontade de contar. Na verdade agradecia por não precisar mais ver as fotos com ele. Era outra pessoa de celular na mão dirigindo o carro na cidade. Na verdade era o mesmo pai novamente. Se espantava como tinha compartilhado tanta coisa, inclusive o Outdoor.
-Fala logo, o que é?
-Nada, pai. Bobagem. Já passou.
Não sabia falar para os que não sabiam ouvir. Sentiu novamente a realidade cinza daquele dia chuvoso. Estava de volta. Lembrou que ainda teria que explicar para sua mãe do porque do atraso.
Parou no portão.
-Se cuida garoto. Olha lá. Vai atrás de estudar a matéria que perdeu na escola hoje.
-Tah. Tchau.
Deixou o chapéu na lixeira e foi caminhando vagarosamente na chufa fina até a porta de casa.
Ao seu lado estava Jorge falando ao celular com algum cliente, negociavam um novo acordo. Cutucou o braço dele que fez um gesto para esperar. Disse o valor: 500 reais mais o valor do material. O sinal estava para abrir, cutuco-o novamente, que fez um gesto irritado para que esperasse, trocando o celular para a mão esquerda e engatou a primeira marcha. Abriu o sinal. foi olhando o Outdoor se distanciar.
O Pai desligou o celular dizendo que já estava chegando no escritório. O garoto então soube que não veriam as fotos e comeriam pizza como tinham combinado.
-Você precisa entender que eu sou atarefado, estava falando com um cliente importante aqui. Esse cara que eu estava falando aqui é um dos maiores .. bla bla bla bla. Via os lábios se mexendo mas já não captava mais nada. Começou a lembrar da viagem.
A princípio não queria ir, não suportava conviver com seus pais. Mas sua mãe estaria viajando com as amigas, não tinha com quem ficar. Mas com o passar daquela semana se identificou com ele. Não parecia tão pai. Conversaram como nunca tiveram oportunidade e apesar do que parecia antes, ele já fora jovem e o entendia como talvez ninguém já tivesse entendido. Se deram muito bem. Era impressionante. No último dia percebeu que tinha esquecido o chapéu que Jorge tinha ganho no tiro ao alvo. Acordou mais cedo e foi ao restaurante onde o tinha deixado na noite anterior. Chegou tarde de volta ao hotel. Resultado: perderam o voo. Pediu desculpas, disse o quanto se arrependia. Mas o chapéu era tão importante para ele, tinha que recuperá-lo. Ouviu o discurso de seu pai. Nunca usaria aquele chapéu. E além do mais quanto custaria? Precisava saber o valor das coisas. Valia muito menos que o dia de trabalho perdido. Tinha compromissos e bla bla bla....
-Blah blah blah... E eu já disse para não colocar a mão no vidro depois de comer, fica tudo manchado. Eu acho super chato ficar brigando com você, mas sou seu pai, tenho que te educar. O Paulo veio me dizer que sou muito paciente com você. Sou mesmo.
-E o que mesmo queria me mostrar?
-Nada não. Bobagem minha.
Perdera totalmente a vontade de contar. Na verdade agradecia por não precisar mais ver as fotos com ele. Era outra pessoa de celular na mão dirigindo o carro na cidade. Na verdade era o mesmo pai novamente. Se espantava como tinha compartilhado tanta coisa, inclusive o Outdoor.
-Fala logo, o que é?
-Nada, pai. Bobagem. Já passou.
Não sabia falar para os que não sabiam ouvir. Sentiu novamente a realidade cinza daquele dia chuvoso. Estava de volta. Lembrou que ainda teria que explicar para sua mãe do porque do atraso.
Parou no portão.
-Se cuida garoto. Olha lá. Vai atrás de estudar a matéria que perdeu na escola hoje.
-Tah. Tchau.
Deixou o chapéu na lixeira e foi caminhando vagarosamente na chufa fina até a porta de casa.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Seguiu a com a mira. Seu dever ali era acertá-la. Ela era a prisioneira ele guardava a saída, cada um tinha seu papel. Suava frio, as pressões em si eram grandes.
-Não consegue mirá-la?
-Sim, sim. Tá quase...
-Ela está se distanciando, porra!
Naquele momento a história se desenvolvia na cabeça dos presentes como atirador e fugitiva, porque ele a pouparia?
Logo a mira fica escura, diferencia algumas folhas. Tira a vista da arma. Ela entrou atrás de uma árvore e fez a curva no muro, ficando fora de alcance. Vê a decepção dos colegas.
Porque fora tão legal com ela?
-Não consegue mirá-la?
-Sim, sim. Tá quase...
-Ela está se distanciando, porra!
Naquele momento a história se desenvolvia na cabeça dos presentes como atirador e fugitiva, porque ele a pouparia?
Logo a mira fica escura, diferencia algumas folhas. Tira a vista da arma. Ela entrou atrás de uma árvore e fez a curva no muro, ficando fora de alcance. Vê a decepção dos colegas.
Porque fora tão legal com ela?
domingo, 20 de setembro de 2009
Olhava as pessoas passando sem camisa na rua através da grande vitrine. Aproveitava isso sorvendo cada detalhe da imagem, dos sons, da temperatura e do cosmos daquele lugar, fixando suas raízes no país novamente. Tomando sua caipirinha saboreava uma alívio temporário das idéias e acrescentava ao mix do lugar. Estava uma semana de volta e já acontecera tanta coisa que mal deu para se situar no espaço e no tempo.
Não vinha ali desde os 22 anos. Sentia um choque entre cenário e personagem. Como ela custava a se sentir no lugar certo. O piso de madeira que dava um ar íntimo ao lugar achava que combinava mais com os tenis que usava antes. Na verdade combinava mais ainda com os tenis que não usavam. Era gostoso conversar com as amigas, só de meias, de pés apoiadas da mesa de centro. Inclusive ali aprendeu a gostar de meias. Um ambiente como aquele não era comum. E ela sabia apreciar isso. Mas a tranquilidade não durava muito, ela tinha uma grande questão para resolver e não conseguia se distrair muito.
Sorriu-se um pouco. Tinha recebido 3 pedidos de casamente em uma semana, inacreditável. Tantos anos desenhando casas para as pessoas viverem felizes com as famílias. Tanto tempo pensando em como devia ser um lar. E agora isso. Um pedido de casamento. Era o hall de entrada do processo e ela chegara a tal ponto sem nem um rascunho de como aconteceria. Se ela aceitasse um deles, iria viver em uma casa não projetada por ela, também parecia ironico. Três pedidos, três tão diferentes corações. Em qual escolheria morar? Se riu novamente, perdeu completamente o hábito de beber.
Conhecia os três, mas já se passara algum tempo. Certamente tinham mudado. Mas quanto? Seguiu seu velho hábito de analisar as pessoas pela casa onde moram.
Continua.
Não vinha ali desde os 22 anos. Sentia um choque entre cenário e personagem. Como ela custava a se sentir no lugar certo. O piso de madeira que dava um ar íntimo ao lugar achava que combinava mais com os tenis que usava antes. Na verdade combinava mais ainda com os tenis que não usavam. Era gostoso conversar com as amigas, só de meias, de pés apoiadas da mesa de centro. Inclusive ali aprendeu a gostar de meias. Um ambiente como aquele não era comum. E ela sabia apreciar isso. Mas a tranquilidade não durava muito, ela tinha uma grande questão para resolver e não conseguia se distrair muito.
Sorriu-se um pouco. Tinha recebido 3 pedidos de casamente em uma semana, inacreditável. Tantos anos desenhando casas para as pessoas viverem felizes com as famílias. Tanto tempo pensando em como devia ser um lar. E agora isso. Um pedido de casamento. Era o hall de entrada do processo e ela chegara a tal ponto sem nem um rascunho de como aconteceria. Se ela aceitasse um deles, iria viver em uma casa não projetada por ela, também parecia ironico. Três pedidos, três tão diferentes corações. Em qual escolheria morar? Se riu novamente, perdeu completamente o hábito de beber.
Conhecia os três, mas já se passara algum tempo. Certamente tinham mudado. Mas quanto? Seguiu seu velho hábito de analisar as pessoas pela casa onde moram.
Continua.
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