Aqui cultivamos a escrita sem leitura. Temos um trato: Não existe leitor aqui. Ninguém é ou será leitor de ninguém. Não é proibida a leitura mas essa não é suportada ou encorajada. É só a escrita pela escrita na garagem posta sob um pano velho. Que fique claro que também não cultivamos a escrita, o fazemos sim, mesmo sabendo que ela pode quem sabe ser lida (arg), mas nos envergonhamos profundamente e por isso não usamos nossos nomes.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Sendo sincera
Camila, agora preciso que seja sincera. Andei revendo meus papéis e descobri que tenho poemas o bastante para fazer uma coletanea. O ponto é, desses poemas que te envio, se eu escolhesse os 10 melhores, xerocasse e vendesse por 2 reais - você compraria?
2008
É tanto que tenho que não basta dizer.
Não sussurrar no seu ouvido
Nas horas nossas
Nem gritar a multidão
Repetir dezenas de vezes ao dia
Reiterar a noite
Te definir por ele, o redefinir por você
O trocar por você e você por ele
Dizer aos meus e aos seus
Colocar no perfil, no dedo, na parede
Digitalizar, imprimir, desenhar
Que todas as mídias
Ler, recitar e cantar
e meios, formas volumes não são o bastante para expressar o quanto eu te amo.
Não sussurrar no seu ouvido
Nas horas nossas
Nem gritar a multidão
Repetir dezenas de vezes ao dia
Reiterar a noite
Te definir por ele, o redefinir por você
O trocar por você e você por ele
Dizer aos meus e aos seus
Colocar no perfil, no dedo, na parede
Digitalizar, imprimir, desenhar
Que todas as mídias
Ler, recitar e cantar
e meios, formas volumes não são o bastante para expressar o quanto eu te amo.
haja falta
haja silêncio para
tanta falta de ouvido
haja silêncio, haja controle
para tanto impulso
falta terra para tanto fogo
falta "separa" para tanto "comigo"
"adeus" para tanto "olá"
falta fim para tanto início
tanta falta de ouvido
haja silêncio, haja controle
para tanto impulso
falta terra para tanto fogo
falta "separa" para tanto "comigo"
"adeus" para tanto "olá"
falta fim para tanto início
a primeira página da carta
É tarde da noite, não sei precisar o horário porque todas os relógios encontram-se distantes. Te escrever esta carta significa certamente não ir a aula amanhã cedo. No entanto hoje tenho assistido tantas aulas e escrito tão poucas cartas que acho que meu ato não será condenável posto nestes termos.
Creio que deve estar intrigada com essas gramas de papel fisicamente entregues a você. Nos tempos que vivemos acho que uma carta deve causar grande espanto. No entanto venho te escrever coisas triviais apenas. Um pensamento que me ocorreu e que pensei em escrever pelo exercício de organizar as idéias e endereçar a você que gosto de conversar sobre assuntos diversos.
Não sobre amor. Não sobre o nosso amor. Mas é uma sim sobre o amor. Sobre uma metáfora para o amor:
O coração dos amantes deve ser uma casa para ser oferecida ao amado. Uma casa que o amado vai encontrar aberta ou fechada disso depende como ele fará sua entrada.
Algum de tão abertas as portas se surpreenderá já dentro. Muitos tantos nunca conseguem entrar nas casas que desejam por não terem as chaves ou não terem a malícia furtiva para entrar ilegalmente.
Uma vez lá dentro o amado pode já se encontrar confortável o que acontece muitas das vezes em casas que já foram antes ocupadas e o morador anterior deixou mobília e decoração. Mas apesar de possível a mudança ser fácil as chances são que haverá muito trabalho a se fazer da nova casa um lar. Um mponto importante é saber se ali já mora alguém. Alguém que está de partida ou de chegada.
Cabe ao amado ir trazendo mobilia e ocupando as paredes de quadros, os armários de utensílios e ir andando de criar uma política para a abertura da casa. Portas e janelas trancadas? Cortinas e persianas? Quem deve frequentar a casa? O quanto? Que espaço usar? Uma casa muito fechada pode ficar abafada e criar mofo.
que passava
foi andando, passou em frente
a vi da janela e me sorri
dias mais tarde, em mente
notava que era de novo
que passava
dessa vez acenei, saudei sua volta
respondeu com graça
é tão delicado e sutil quando
uma simpatia assim acontece
é o sol da manha trazendo o dia claro
iluminando pequenas gotas de orvalho
destacando o verde nas folhas mais novas
momento que precisa estar atento para saber que é raro
a vi da janela e me sorri
dias mais tarde, em mente
notava que era de novo
que passava
dessa vez acenei, saudei sua volta
respondeu com graça
é tão delicado e sutil quando
uma simpatia assim acontece
é o sol da manha trazendo o dia claro
iluminando pequenas gotas de orvalho
destacando o verde nas folhas mais novas
momento que precisa estar atento para saber que é raro
O laço
não sei que mágico laço
que amarra em você
que as vezes se afroxa e partimos
mas quando afasto ele aperta
que as vezes parece rompido
mas e concerta
que as vezes parecemos enganados
mas novamente se acerta
que vortice que me suga
que me atrai, gravidade que me atrai
que as veezes enterro
tento centrifugar um fim
mas logo to centripetado
um início a colidir em seus braços
sorrir suas graças,
queimar em suas brasas
Não falo te amor
falo de um teatro todo de sentimentos
será o amor personagem principal
ou morrerá inevitavelmente no segundo ato
será o amor um personagem chato?
Andando pelos caminhos de cristal
tentei tirar de ti a maravilhosa nota
quebrei suas cordas tentando te afinar
também no processo feri meu peito
em que trazia junto
quem nesse mundo viu sua verdadeira face
quem trilhou seus caminhos
quem trilhará, amiga?
A azul chaleira por sobre a messa
e a carta, não sobre o amor
sobre os anos e a amizade
te vejo no palco e te conheço
te vejo pelo acento vazio a minha frente
medroso de ve-lo grandemente ocupado.
do meu jeito estranho
primeiro te desejo, te vejo
e te devoro, te olho e reparo
te reconheço, falo, rodo.
a medida que te pesquiso te demostro respeito
te respondo, te escuto
conforto, te confio
estabeleço raport.
ai se te gosto te enterto
te agradeço e te esnobo
confundo e devoro
mas ainda não te toco
só desejo, só desejo...
as vezes te esbarro
te agrado, leve carícia
em seus espaços
só criando lastro
ai me afasto
te beneficio com a falta
ai se me procura
eu te agarro
mais criando desejo
do que realizando
e te devoro, te olho e reparo
te reconheço, falo, rodo.
a medida que te pesquiso te demostro respeito
te respondo, te escuto
conforto, te confio
estabeleço raport.
ai se te gosto te enterto
te agradeço e te esnobo
confundo e devoro
mas ainda não te toco
só desejo, só desejo...
as vezes te esbarro
te agrado, leve carícia
em seus espaços
só criando lastro
ai me afasto
te beneficio com a falta
ai se me procura
eu te agarro
mais criando desejo
do que realizando
segunda-feira, 9 de julho de 2012
A última carta de amor
Lhe escreve esta carta em que anonimamente digo que te amo. Sim, amo.
Sim, uma carta que precipitadamente falo de amor, como amores infantis
precipitadamente sentidos.
O que sabem as crianças sobre o amor? Sabia o meu sentimento e que
melhor palavra não sabia. Mais tarde aprendi outras palavras mas os
sentimentos também eram outros e também eram outras as formas que se
dizia. Eu ainda ainda escrevi cartas. Eu ainda disse da mesma forma.
Mas aquela forma não foi ouvida. Então aprendi a dizer das formas que
eram ouvidas. Aprendi a economizar amor e dançar com paixão, eufemismo
como gostar e gírias diversas. Aprendi a nem dizer.
E isso parecia o certo. E o corrente dos nossos dias. Mas para você eu
não quis dizer dessa forma. Não quis e não sei dizer dessa forma. Por
que por você eu sinto o que eu sentia nos primeiros anos. Sinto o
sentimento flor de um eu te amo anônimo.
Um sentimento flor. Não o sentimento arvore que vi meu avô dizer a
minha avó quando completaram 50 anos de casados. Não o sentimento
fruto vistoso que se jura no altar. Mas te tenho amor, ingênuo,
possivelmente inócuo. Mas também amor. Amor flor.
Com amor flor,
Um alguém.
Sim, uma carta que precipitadamente falo de amor, como amores infantis
precipitadamente sentidos.
O que sabem as crianças sobre o amor? Sabia o meu sentimento e que
melhor palavra não sabia. Mais tarde aprendi outras palavras mas os
sentimentos também eram outros e também eram outras as formas que se
dizia. Eu ainda ainda escrevi cartas. Eu ainda disse da mesma forma.
Mas aquela forma não foi ouvida. Então aprendi a dizer das formas que
eram ouvidas. Aprendi a economizar amor e dançar com paixão, eufemismo
como gostar e gírias diversas. Aprendi a nem dizer.
E isso parecia o certo. E o corrente dos nossos dias. Mas para você eu
não quis dizer dessa forma. Não quis e não sei dizer dessa forma. Por
que por você eu sinto o que eu sentia nos primeiros anos. Sinto o
sentimento flor de um eu te amo anônimo.
Um sentimento flor. Não o sentimento arvore que vi meu avô dizer a
minha avó quando completaram 50 anos de casados. Não o sentimento
fruto vistoso que se jura no altar. Mas te tenho amor, ingênuo,
possivelmente inócuo. Mas também amor. Amor flor.
Com amor flor,
Um alguém.
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