Narrator: I felt like destroying something beautiful.Fight Club
Aqui cultivamos a escrita sem leitura. Temos um trato: Não existe leitor aqui. Ninguém é ou será leitor de ninguém. Não é proibida a leitura mas essa não é suportada ou encorajada. É só a escrita pela escrita na garagem posta sob um pano velho. Que fique claro que também não cultivamos a escrita, o fazemos sim, mesmo sabendo que ela pode quem sabe ser lida (arg), mas nos envergonhamos profundamente e por isso não usamos nossos nomes.
domingo, 12 de agosto de 2012
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
no dia que eu a ver
"Quem pagará o enterro e as flores se eu me morrer de amores?" Vinícius de Moraes
Irá fazer sol
ou chover,
no dia que eu a ver?
Uma criança fará graça,
Passará um senhor a cantar,
No dia em que eu te encontrar?
No desembarque, irá demorar,
ou será a primeira a sair,
Irá se emocionar ou sorrir,
Na primeira vez que eu te olhar?
Ficará alegre, irá corar
No exato momento em que o ler
Esser versinhos pra você?
Sigamos leves soltos
dignos da beleza que tem
Dois jovens que se encontram
e se encantam
chegou o tempo
"Vai teu caminho que eu vou te seguindo
No pensamento e aqui me deixo rente Quando voltares, pela lua cheia Para os braços sem fim do teu amigo! Vai tua vida, pássaro contente Vai tua vida que eu estarei contigo!"
Monólogo de Orfeu - Vinícios de Moraes
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Ainda teria para ti declararões e planos e cuidados,
mas chegou um tempo em que só me lê e leria por educação,
Os planos talvez executasse em um momento sem pretensão,
se destraindo, acelerando as horas para algum momento de maior promessa.
Os cuidados, chegou o tempo em que já não mais precisa.
Chegou o tempo que é fim, quem já viu tudo,
que já juntou muitos desencantos,
que o saldo da minha conquista foi sua indiferença
que tudo que ouço é o eco e comunicados impessoais
que a música silenciou, que fiquei sozinho no salão,
já a ser limpo para atender aos próximos convites
chegou um tempo que talvez eu tenha sido um erro
que o circo se fecha, os antigos amigos estão prontos para me expurgar,
que qualquer um diria que o melhor pra você é me esquecer, me deixar
que meu poema é só tristeza.
Chegou o tempo em que as lembrancinhas serão levadas a qualquer lugar esquecido
nossas fotos irão pousar em qualquer pasta perdida
que pensará nos meus defeitos caçoando,
que sou uma sombra de algum outro passado,
sou um conjunto de memórias
que o eu, presente, é uma tralha,
um móvel já gasto em que se teve lembranças
e que agora deve-se, respeitosamente, se livrar
pois o futuro reluz mais brilhante e atraente
chegou o tempo em que terei meu espaço na sua vida oculpado
que para quem pergunte de mim, dirá o nome dele,
que ensinará os passos que o levarão ao que era o meu lugar,
que os símbolos que eram pra mim, terão novo dono.
O irá puxar e sentar onde eu estive
e pedir um carinho que eu te dava.
O irá medir por mim, serei sua métrica.
Algumas frases que irá dizer,
serão sem pudor as mesmas frases.
De únicos ficarão os erros, que lembrará com até uma certa saudade
Outras coisas serão novas
em novos tempos que nunca viveremos,
algumas que prometemos e nunca cumprimos
Que você se verá bela pelos olhos dele,
Que coisas que acho belo em você irá mudar para atendê-lo
o que, de você, era eu, se desagastará
como um objeto que se quebrou, e as partes com o tempo
já não mais se encaixam
chegou o tempo em que a correria pulsante
nossos sons e sorrisos, nossos movimentos vivos
ficaram ali gravados, como uma pintura distante
espalhada pelas paredes da caverna escura
chegou o tempo em que já não saberei do que o tempo fez com você
que me será estrangeira
Chegou o tempo em que o território começará a ser demarcado
que as fronteiras me deixarão de fora
que tudo que te envolve terá uma marca dele
me impedindo de saber seus dias,
conhecer suas idéias, adentrar teus ambientes,
beijar-lhe a boca e dizer-lhe o que sinto.
Chegou o tempo em que tudo será ilegal
que não nos tocaremos, que nos falaremos com filtros
e que meu choro deverá ser solitário
que talvez me convide para visitação em uma festa qualquer
após reconsiderar algumas vezes,
e que se eu for, sentarei do outro lado,
observando ao longe, lembrando de um tempo que se foi
Chegou o tempo em que se é a despedida,
que se escolhe as palavras do fechamento.
Chegou o tempo que minhas linhas serão lidas sem paixão
que vai sempre negar meus convites, talvez com uma desculpa educada de início
que agirá com a educação que lhe é própria
não terei quem sabe uma palpitação do seu peito,
uma entornar de sobrancelhas
uma adimiração, uma revolta, nada que se ponha em samba
porque chegou o tempo em que já não se fala em samba
que adeus já não soa tão grave
chegou o tempo
e o que o tempo trás.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Passional I
Me dirijo
evito pensar
anuncio a chegada
entras sorridente
-quanto tempo
muita notícia
alguma mudança
leves umas
outras graves
um gole
outra taça
vista embaça
Corre a noite, passa
Sorri-me, incerto sorrio
Apreensivo, confuso prossigo
Segura a minha mão, me guia
E vou guiado
Tens as cabeça em meus ombros, e apenas
entre nossos lábios, um dedo coroado
Romances, Contos e Crônicas
Carolina quase nunca estava totalemnte lá. E quando amava nunca estava. Pior ainda quando havia um desencanto. Como hoje, na aula de Literatura. Era revisão e ela se revisava.
- O que está errado?
Nunca
gostara de revisão. Todas essas idéias repetidas dificultava sua concentração.
Entre um estilo e outro, uma lembrança e outra, se pegou pensando em seus
relacionamentos em termos de crônicas, contos e romances. Seu primeiro beijo,
uma crônica. Nunca o vira antes ou depois. Mas sempre se recordaria de todas as
frases e silêncios daquela noite. Seu último namoro, um conto de 18 dias - acabara a 30 minutos atrás - e que teria que contar o final 5 vezes. Primeiro
para Luisa que não parava de a olhar com interrogação.
"Ao menos foi
terminado com ponto final" -ela se consolava. Detestava relacionamentos com
reticências.
Mas sua grande decepção era mesmo não
ter um verdadeiro romance para se dizer.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Sendo sincera
Camila, agora preciso que seja sincera. Andei revendo meus papéis e descobri que tenho poemas o bastante para fazer uma coletanea. O ponto é, desses poemas que te envio, se eu escolhesse os 10 melhores, xerocasse e vendesse por 2 reais - você compraria?
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